sexta-feira, 23 de junho de 2017

Nova era na saúde animal-ARTIGO

Há uma nova era na saúde animal chegando por aqui. Até 2030 a estimativa é de que o ramo da saúde animal, que inclui a bovinocultura, suinocultura, avicultura e aquicultura, vá duplicar de tamanho e deverá atingir mais de 50 bilhões de euros no mundo.
Isso significa que o setor da veterinária dobrará de tamanho nos próximos 13 anos e com um cenário de crescimento populacional, quando caminhamos para cerca de 10 bilhões de pessoas até 2050. Iremos ver uma demanda acentuada pela proteína animal, uma diversificação e sofisticação de cortes e processados e, para isso, vamos ver a pesquisa e a ciência oferecendo inovações na forma de vacinas como para a influenza aviária e a febre aftosa.
Em paralelo a isso vamos ver também soluções alternativas como a utilização de produtos a partir de algas marinhas e outras opções cada vez mais apoiadas em BIG Data, para uma gestão de precisão.
E da mesma forma como ocorrem fusões e aquisições em todos os elos do agronegócio, assim também no setor veterinário, a Boeringher adquiriu a Merial por mais de 11 bilhões de euros e, com isso, se transformou na segunda empresa global na saúde animal do mundo, somente atrás da Zoetis.
Tudo no agronegócio cresce e ao mesmo tempo a ciência e a tecnologia com agropecuária de precisão viram um fato do setor.

Caprifeira de Afonso Bezerra-RN

É a Caprifeira mais charmosa do estado. Estarei lá, como de costume.

Emater-RN promove Dia de campo em Lagoa de Velhos



A Emater-RN, realizou no dia 21 de junho, um Dia de Campo na Agrovila São Pedro, situada no Projeto de Assentamento Potengi, município de Lagoa de Velhos, a 98 Km de distância de Natal.
O evento, que contou com 100 produtores de 16 municípios da região, desenvolveu atividades práticas e palestras com o objetivo de informar os pequenos produtores e contribuir para a atividade agrícola da região.
O Dia de Campo, dividido em quatro estações, ofereceu aos produtores oficinas ministradas por equipes dos regionais da Emater. As oficinas abordaram temas sobre fenação, silagem, crédito rural, tecnologias de conservação do solo para o controle de pragas e contenção de águas subterrâneas para preservar ou recuperar áreas degradadas com o uso das tecnologias de barragens subterrâneas do Projeto Segunda Água.
Para seu Antônio Fernandes, agricultor e proprietário de um terreno do assentamento Potengi, a implantação da barragem subterrânea trouxe benefícios. “No meu terreno, a maior plantação é a de palma forrageira, mas esta barragem trouxe muita mudança e forneceu melhorias para a produção de capim, milho e feijão. Minha plantação é orgânica e aqui eu também planto batata, coentro, cebola, banana e mamão.”
O Dia de Campo foi uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Lagoa de Velhos, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA).

Mudança na vacina contra aftosa deve evitar reação

Sanidade

Redução da dose atual de 5 ml para 2 ml foi solicitada pelo Mapa aos laboratórios no início deste ano

Medida está em consonância com a programação de retirar totalmente a vacinação do país entre 2019 e 2023, disse Guilherme Marques
Medida está em consonância com a programação de retirar totalmente a vacinação do país entre 2019 e 2023, disse Guilherme Marques

Uma medida importante adotada no início deste ano pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deve evitar reações à vacina contra a febre aftosa. Houve pedido formal aos laboratórios que produzem a vacina para que reduzam a dose atual de 5 ml para 2 ml. Guilherme Marques, diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa e presidente da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), observou que o Brasil é livre da febre aftosa e, portanto, não é preciso mais utilizar uma dose reforçada.
Marques observou, inclusive, que a medida irá reduzir custos de logística e está em consonância com a programação de retirar totalmente a vacinação do país entre 2019 e 2023, quando o Brasil deverá ser reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como livre da doença sem vacinação, como já acontece em Santa Catarina.
Outra medida relevante é a retirada do sorotipo C da vacina. Estudo do Centro Americano de Febre Aftosa, que concluiu pela inexistência do vírus da febre aftosa tipo C na América do Sul, foi determinante para recomendação da Cosalfa de suspender a vacinação com esse sorotipo na região. A decisão foi tomada no encerramento da 44ª reunião ordinária da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), em abril deste ano.
De acordo com o estudo, o último foco de febre aftosa com o sorotipo C nas Américas data de 2004. “Por essa razão, bem como em função de estudo que o Brasil tem, tomamos a decisão de, no futuro, retirar o vírus C de toda vacina produzida no país”, disse o diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura que é também presidente da Comissão Regional da OIE para as Américas.
O ministro Blairo Maggi, garantiu, nesta quarta-feira (21), que a reação à vacina não oferece risco à saúde pública, ao ser questionado sobre sinal (caroço) encontrado em carne exportada aos Estados Unidos. O Mapa, preventivamente, suspendeu a certificação sanitária do SIF (registro do Serviço de Inspeção Federal)  dos embarques de frigoríficos citados pelos país e trabalha para prestar todos os esclarecimentos e correções no sentido de normalizar a situação.
Maggi admitiu que poderá ser aberta investigação para analisar se o problema detectado na carne exportada para os EUA foi causado pela vacina. “Mas, se for nesse caminho, e nós vamos ter que abrir investigação para saber até onde a acusação contra a vacina é verdadeira, não se resolve de um dia para o outro”, afirmou.
Blairo Maggi garantiu que o Ministério já cobrou providencias das empresas. “As providências, basicamente, devem ser tomadas pelos frigoríficos. Tem que cortar na própria carne". Para o ministro, a melhor forma de evitar é fazer a correção no momento da limpeza do produto. Segundo ele,  o ministério já cobrou providências das empresas, que devem cumprir a vontade do mercado.  

Mais da metade dos municípios têm aterros


Agência Câmara
Comissão debate PNRS
Em seminário na Câmara, secretário de Recursos Hídricos do MMA, Jair Tannús, pede união de todos para avançar na erradicação dos lixões.

DA REDAÇÃO
Investimentos de R$ 1,2 bilhão em seis anos ampliaram para mais de 50% a coleta e destinação adequadas dos resíduos sólidos no país. Os dados foram apresentados nesta semana em seminário na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados pelo secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, Jair Tannús.  Para ele, há avanços. “Terminar com os lixões é uma questão de tempo, mas também é uma tarefa complexa, que depende de vários fatores”.
O evento abordou os desafios para implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), planos regionais, municipais e intermunicipais. Para os parlamentares é necessário destinar novos recursos, pois os municípios sozinhos não conseguem avançar na implantação dos aterros sanitários e necessitam mantê-los, o que exige investimentos constantes.
Tannús defendeu a articulação entre governos estaduais, gestão municipal e Ministério do Meio Ambiente para garantir a continuidade da implementação da PNRS.  O prazo para os municípios substituírem os lixões por aterros sanitários expirou há mais de dois anos, em agosto de 2014.
RESÍDUOS
Dados recentes, apresentados pela presidente da comissão, deputada Flávia Moraes (PDT/RO), apontam que ainda existem quase três mil lixões ou aterros irregulares no país. Cerca de 30 milhões de toneladas de resíduos são dispostas de forma inadequada por ano, afetando a vida de 77 milhões de brasileiros.
Números mostrados pelo diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos Silva Filho, estimam que os municípios gastarão cerca de R$30 bilhões com o meio ambiente e a saúde das populações até 2021 enquanto forem mantidos os lixões. Os investimentos necessários para a erradicação deles são estimados em R$10,3 bilhões.
CIDADES
O diretor de Financiamentos de Projetos de Saneamento do Ministério de Cidades confirmou a abertura de linha de crédito de R$ 2,2 bilhões através de seleção pública para estados e municípios. Os recursos virão do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço para investimentos em abastecimento de água, drenagem urbana e aterramento sanitário. A previsão é de que as inscrições sejam abertas em julho.
Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): 
NOTA DO BLOG: Esse problema dois lixões, vem rolando a bastante tempo. Os municípios se unem, criam os consórcios, mas, só fica no papel. E a população, é sempre a mais prejudicada.

Projeto ajuda jovens agricultores do Ceará a estudar e se manter na terra


É o projeto Projovem Campo Saberes da Terra. O objetivo é trazer de volta o jovem agricultor para a sala de aula, dando orientações voltadas para a escola e para a vida em comunidade. Dessa forma o jovem agricultor se prepara e permanece no campo com mais conhecimento e orientação de especialistas. O público alvo do Projeto são  jovens de 18 a 29 anos que por algum motivo deixaram de estudar e estão voltando depois de muito tempo para a sala de aula.
No Ceará, 17 municípios são atendidos pelo Projovem Campo onde a execução é feita através do contrato de gestão do IDT – Instituto do desenvolvimento do Trabalho. São beneficiados  1200 alunos nas escolas da zona rural. Esse projeto é do governo Federal, Estadual e Municipal.

A duração do programa é de 24 meses com aulas à noite em sala de aula e aos sábados aulas praticas de campo e na UTD (Unidade Técnica Demonstrativa). Esta unidade do programa vai terminar neste mês. Os alunos serão incentivados a produzir dentro do sistema agroecologico permitindo que eles permaneçam no campo evitando o êxodo rural, confirma Raimunda Bandeira, engenheira agrônoma e uma das coordenadoras da QSP- Qualificação Social Profissional.

quarta-feira, 21 de junho de 2017


O empresário Ronaldo Lacerda esteve presente na sessão da Câmara Municipal de Lajes na última sexta-feira, 16/06, para apresentar aos vereadores locais o Projeto do Frigorífico Cabugi, detentor da marca Cabugi Foods.
Lacerda explicou os detalhes do projeto, principalmente os critérios de aquisição de animais para abate, que foi alvo de questionamento de alguns criadores locais.
O Frigorífico possui como padrão a compra apenas de Cordeiros precoces, ou seja, animais com menos de 10 meses de idade. O objetivo é atender o exigente público consumidor de cortes nobres desta carne, evitando repetir o erro de empresas que fracassaram neste ramo no passado.
O empresário reafirmou ainda o compromisso social da empresa, na forma de geração de emprego e renda para o município de Lajes.
NOTA DO BLOG:
A abertura do Frigorifico Cabugi, na cidade de Lajes, só vem a beneficiar os proprietários de ovinos e caprinos de toda região central. Foi um investimento alto, com recursos públicos que não deveria ter paralisado as suas ações. Diga-se de passagem, foi uma iniciativa do ex-deputado(inmemoriam) Nélio Dias, que por sinal, vem fazendo muita falta aqui em nossa região, principalmente a classe rural, que sempre teve uma atenção especial do nobre Deputado.

Obras de integração do São Francisco são retomadas no CE

Água

Estrutura deve evitar colapso hídrico na região e abastecer mais de 7,1 milhões de habitantes
 Ao todo, o Eixo Norte está com 94,92% das obras finalizadas
Ao todo, o Eixo Norte está com 94,92% das obras finalizadas

As obras da primeira etapa do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco serão retomadas nos próximos três dias. A ordem de serviço de R$ 132 milhões foi assinada nesta terça-feira (20), pelo presidente da República em exercício, Rodrigo Maia.
“As águas do São Francisco, o rio da Integração Nacional, poderão cumprir assim, o mais rápido possível, seu papel de levar água para os brasileiros da região Nordeste”, disse o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho.
Nesta etapa, a estrutura construída terá 140 quilômetros de extensão e passará pelos municípios pernambucanos de Cabrobó, Salgueiro, Terra Nova e Verdejante até a cidade de Penaforte, no Ceará. Ao todo, o Eixo Norte está com 94,92% das obras finalizadas.
A previsão é de que as obras sejam concluídas em até dez meses. Cerca de dois mil trabalhadores devem ser empregados na obra, que vai abastecer a população do estado do Ceará até janeiro do ano que vem.
A estrutura vai evitar que Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte entrem em colapso hídrico. No total, as águas do Velho Chico vão beneficiar cerca de 7,1 milhões de habitantes em 223 municípios nesses estados, dos quais 4,5 milhões somente na Região Metropolitana da capital cearense.
Fonte: Portal Brasil

Um jeito de garantir alimento para os animais nos períodos de seca

Redação N. Rural
fenoUma alternativa para garantir a manutenção de animais como caprinos e ovinos, além de bovinos, no período de estiagem é conservar forrageiras. Existem técnicas simples que podem ser aplicadas pelo homem do sertão para não deixar que os animais morram durante a seca. Os dois principais processos de conservação são a fenação e a ensilagem.
A fenação consiste na desidratação do alimento, ou seja, na retirada de toda a água para conservá-lo e utilizá-lo durante todo o período de estiagem. Para fazer o feno, são utilizadas gramíneas com baixa diferenciação entre folhas e caules, como o capim gramão, alguns tipos de braquiárias e também leguminosas como a leucena e a alfafa. Já para a silagem, são utilizadas forrageiras que têm quantidade razoável de carboidratos, como milho, sorgo e capim elefante.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Caprinos, em Sobral, no Ceará, Ana Clara Rodrigues, existem tipos de ensilagem e fenação acessíveis aos agricultores familiares. Uma das técnicas de ensilagem é a que utiliza silos tipo cincho. Após 21 dias, a silagem já está pronta para uso e não tem prazo de validade. Já para fazer o feno, o agricultor pode aproveitar o sol do sertão. Basta cortar a forragem e deixar secar ao sol por três dias, preferencialmente sobre uma lona. O material dura a estação seca inteira.

Emater-RN realiza dia de campo sobre forragens e crédito rural em São Pedro



A Emater-RN realizou hoje, no município de São Pedro, um dia de campo com as temáticas: reservas estratégicas de forragens para o período seco e crédito rural.
O evento, que também contou com palestras e oficinas, tem o objetivo de conscientizar produtores do projeto MAPA da importância de preparar reservas estratégicas de alimentação para ruminantes no período seco e de passar orientações sobre o programa crédito rural.
Os ensinamentos foram repassados pela equipe da região do Potengi, com os palestrantes Laílson Dias Cavalcanti, Bruno Leonardo Quirino e Nelson Eugênio, no Sítio 29, do produtor João Maria de Freitas.
Durante as oficinas, foram realizadas atividades práticas, com a participação dos produtores sobre ensilagem, fenação e plantio de palmas forrageiras. O evento foi uma parceria entre a Emater-RN e Prefeitura de São Pedro.

Um capim com ótimo aproveitamento no semiárido brasileiro

capim gramãoÉ o capim-gramão, uma variedade Aridus, cultivar Callie, que vem se revelando uma das alternativas que o produtor usar para obter forragem de qualidade na região do Semiárido brasileiro. Na Embrapa Caprinos, o capim–gramão passou por várias avaliações e em todas apresentou excelentes características, como: resistência à seca; ao pisoteio; a pragas e doenças; alta produção de forragem pastável; fácil e de rápido estabelecimento, porque pega com facilidade e rapidez; agressividade; alta palatabilidade, que permite que os animais consomam bem e possui bom valor nutritivo.
Outra característica importante do capim-gramão para o Semiárido é a de que o crescimento dos estolhões também ocorrem na época seca, mesmo em solos de baixa fertilidade, como a maioria das terras encontrados no Nordeste brasileiro.
Com a caatinga raleada enriquecida com capim-gramão e adubada com 50 kg de sulfato de fósforo, usando 1 ovelha/ha/ano, houve uma produção média de 100kg de peso vivo/ha/ano. A mesma área de caatinga raleada produziu 20kg de peso vivo/ha/ano, utilizando uma área de 0,5ha/ovelha/ano. A utilização do capim-gramão para o enriquecimento da caatinga raleada representa um ganho de 400% em relação à caatinga simples.

Mapa da flora vai orientar apicultores no Nordeste

Embrapa

Pesquisa contribuirá para que mel, propólis e pólen apícola fiquem mais acessíveis ao consumidor, com menor preço

 

Pesquisadores da Embrapa estão fazendo o mapeamento da flora apícola nos biomas da região Meio-Norte, que compreende os estados do Piauí e do Maranhão, para que os apicultores tenham informações mais precisas sobre espécies que favorecem a produção e épocas de florescimento, a fim de que possam, então, escolher os locais adequados à instalação de apiários. O trabalho científico vai contribuir para que produtos como mel, propólis e pólen apícola cheguem mais facilmente e com menor preço ao consumidor.
A pesquisa contribuirá também para a conservação e incremento das plantas apícolas e das espécies de abelhas nativas nos biomas estudados, como Cerrado, Caatinga, regiões de transição e de manguezais. O estudo, que começou em 2004, vai possibilitar ainda a adoção de estratégias de manejo das colônias conforme os períodos de floração das plantas. O resultado dará segurança e eficiência ao apicultor.
Os trabalhos estão concentrados atualmente nos biomas Matas de Cocais, em Teresina (PI), em áreas de Cerrado do Piauí e do Maranhão e nas Vegetações Litorâneas, no Delta do Rio Parnaíba. O estudo será concluído em dois anos, segundo previsão da pesquisadora Fábia de Mello Pereira, da Embrapa Meio-Norte (PI). As informações chegarão aos apicultores por meio de um livro, com fotos e todo o detalhamento da flora apícola da região. Um artigo também será disponibilizado à comunidade científica.
Diversidade e riqueza
Com financiamento do Banco do Nordeste e do Tesouro Nacional, o projeto está identificando as espécies com maior potencial para a produção de mel e pólen. A ação dos pesquisadores, sempre estruturada em equipes de quatro pessoas, envolvendo profissionais das universidades estadual e federal do Piauí, exige fôlego e muita dedicação.
Cada bioma é estudado por, no mínimo, um ano, período em que os pesquisadores percorrem, quinzenalmente, uma trilha de três quilômetros, em zigue-zague, no início da manhã e no final da tarde, coletando galhos com flor e folhas, que são prensados e secos em estufa para, em seguida, serem armazenados em herbário. A última fase de identificação ocorre em laboratório.
A pesquisa envolve ainda a coleta de abelhas para a identificação das espécies que estão utilizando as plantas no bioma. “Escolhemos as áreas mais representativas de cada região e bioma e evitamos locais que são desmatados e que tenham criações de animais e plantio agrícola”, diz Fábia.
No bioma de transição Caatinga-Cerrado, no município de Castelo do Piauí, a 184 quilômetros ao norte de Teresina, foram identificadas 138 espécies botânicas, distribuídas em 98 gêneros e 39 famílias. Nessa etapa, coordenada pela pesquisadora da Embrapa Meio-Norte Maria Teresa do Rêgo Lopes, foram observados também os períodos de florescimento de cada espécie, as abelhas visitantes e qual o recurso coletado – néctar, pólen ou resina.
Já no bioma Cerrado, no município de São João dos Patos, a 540 quilômetros de São Luís, no leste maranhense, os pesquisadores identificaram 127 espécies, 93 gêneros e 40 famílias. No município de Guadalupe, no sudoeste do Piauí, a 206 quilômetros da capital, os números saltaram: 167 espécies, 54 gêneros e 130 famílias, com 44% de potencial melífera.
A pesquisa avançou um pouco mais e identificou, de 2012 a 2013, no período de seca rigorosa, no bioma Caatinga, no município de São João do Piauí, 516 quilômetros a sudeste de Teresina, 67 espécies em floração, 47 gêneros e 21 famílias. “Esse estudo está permitindo identificar os vegetais que fornecem alimento às abelhas no período seco, quando poucas espécies estão florescendo e as colônias ficam fracas”, ressalta Fábia.
Maria Teresa acrescenta que o conhecimento das plantas visitadas pelas abelhas, seus períodos de florescimento e os recursos ofertados são informações importantes para que os apicultores entendam o relacionamento entre a flora apícola e suas colônias. No Nordeste brasileiro, seis espécies da flora apícola se destacam: marmeleiro (Croton sonderianus), angico-de-bezerro (Pityrocarpa moniliformis), Mofumbo (Combretum leprosum), sabiá (Mimosa caesalpiniifolia), jetirana (Ipomoea bahiensis), bamburral (Mesosphaerum suaveolens) e unha-de-gato preta (Albízia viridiflora).
Entre os pontos fortes do projeto, a bióloga e técnica de laboratório da Universidade Federal do Piauí Leudimar Aires Pereira destaca o equilíbrio ecológico que o estudo vai proporcionar aos biomas. Ela é responsável pela coleta e identificação das plantas, preparação das lâminas de pólen e de mel, para análises. Para a técnica, o maior desafio no trabalho é agregar o conhecimento teórico com a aplicação no campo.
Marco para o avanço da produção
A maior cooperativa apícola do país, a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), sediada no município de Picos, 307 quilômetros a sudeste de Teresina, entende o trabalho como um marco para o avanço da produção de mel. Antônio Leopoldino Dantas Filho, o Sitonho Filho, presidente da central, acredita que só um estudo como esse pode ajudar a ampliar as áreas de produção de mel e destacar a região, gerando empregos e renda.
“A pesquisa é necessária, pois existem regiões que nem sequer começaram a produzir mel. O mapeamento da flora apícola vai permitir o reflorestamento de áreas improdutivas, contribuindo para evitar a evasão e morte das abelhas por falta de alimentação nos períodos críticos de seca no Nordeste”, enfatiza Sitonho Filho.
Para ele, a ciência precisa avançar em duas frentes: aumento do número de colmeias, com técnicas de multiplicação dos enxames, e o melhoramento genético desses animais. “Com o melhoramento genético, seria possível selecionar colônias mais tolerantes à seca, que enfrentariam a estiagem sem abandonar as colmeias em busca de melhores condições.”
Presidente da Cooperativa Mista dos Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes (Comapia), Elísio Coelho observa que a pesquisa com flora apícola pode dar um novo rumo à apicultura. “Um projeto com melhoramento genético e a sustentação dos enxames pode aumentar a produção de mel e de outros produtos no campo,” diz o dirigente da cooperativa, que fica no sudeste do Piauí e é uma das maiores do país.
Estudos financiados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revelam que as abelhas, insetos e aves são fundamentais para o aumento da produtividade em lavouras, pomares e matas. Em alguns casos de polinização com abelhas, a produtividade pode aumentar em até 70%. Por meio da polinização, cerca de 35% das lavouras e 94% das plantas silvestres dependem diretamente da ação das abelhas.
País é destaque nas exportações
Os números da produção de mel no Piauí e no Brasil são expressivos. Em 2016, a Casa Apis, que reúne 850 famílias em 56 municípios, produziu 983 toneladas. A produção foi toda exportada para os Estados Unidos, resultando em faturamento U$ 3,5 milhões. Para este ano, a expectativa é que a produção chegue a 1.100 toneladas. Em 2016, a Comapi, que tem 685 cooperados em dez municípios, produziu 412 toneladas e exportou tudo para o mercado norte-americano. A previsão para 2017 é de pelo menos 500 toneladas.
Segundo o IBGE, até 2015 o ranking da produção de mel no Brasil era o seguinte:  Paraná, em primeiro, com 6,2 mil toneladas; Rio Grande do Sul, com 4,9 mil toneladas; Bahia, com 4,5 mil toneladas; Minas Gerais, com 4,3 mil toneladas; e Piauí, na quinta posição, com 3, 9 mil toneladas.
Em 2016, as exportações brasileiras alcançaram 24,2 milhões de toneladas de mel. O faturamento chegou a U$ 92 milhões. A informação é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os Estados Unidos foram os maiores importadores: 19,7 milhões de toneladas, seguido do Canadá, com 1,5 milhão de toneladas; e Alemanha, com 1,3 milhão de toneladas. O Brasil está hoje entre os dez maiores exportadores de mel. Até março deste ano, o País já exportou 5,3 milhões de toneladas, e faturou nada menos do que U$ 24 milhões.